31maio
2013
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A Arca de Noé em versos

                      Elisabete Ribeiro

Era um período difícil:
injustiças, crueldade,
egoísmo, ódio, inveja…
Lá ninguém amava ninguém…
Mas felizmente
havia alguém diferente:
Noé e ele foi o chamado.
Deus pediu a construção
de uma enorme embarcação
para dois animais
de cada espécie.
Assim se fez!

Noé , seus três filhos: Sem, Cam e Jafé
tiveram muito trabalho
derrubaram toras,
cortaram, pregaram…
Animais também ajudaram?
Será?
Elefante e elefanta,
No Ceilão é aliá,
elefoa nem pensar.
A família seguiu todo o projeto
que Deus havia passado
até ficar pronta
a arca betumada.

Agora a tarefa era outra:
colocar dentro da arca
espécies diferentes
dois a dois: macho e fêmea.
Uma fila imensa:
bichos de todos os tons, fortes e fracos…
boi, vaca,
cavalo, égua,
burro, burra,
carneiro, ovelha,
leão, leoa…
Havia bichos pra burro…
Girafa, rinoceronte, coelho, porco…
Um caleidoscópio da fauna…

Cores, amores, sabores…
Tudo bem colocado.
Todos bem arrumados.
A família também presente,
só a maldade ausente.
Na arca esperança no ar.
Eles nem imaginavam
o que iria se passar
Nuvens cinza
começavam a se formar.

Dentro da arca
total harmonia.
Lá fora, nuvens negras
anunciavam uma tormenta.
Balançavam para todos os lados
firmes, esperançosos
Noé, esposa, filhos, noras, bichos…
zebra listrada,
girafa assustada,
morcego de cabeça virada,
borboleta, joaninha,
toda a bicharada
convivendo com a imensa chuvarada.
E a arca virava, virava, rodopiava…

Dias e dias de muita apreensão.
Toda a terra coberta,
relva, arbustos, árvores, montanhas,
todas as cores da terra
tornaram-se uma só:
a transparência e a mistura das águas.
Dois tons: cinza quase preto no céu
e um azul barrento no chão.
Durante muito tempo
a cortina contínua de prata
Rondava a embarcação.

Subiam, subiam, subiam as águas…
Balançavam pra cá e pra lá,
todos juntos,
todas as cores
em um só lugar
com a esperança da bonança
um dia encontrar.

Depois de muito tempo
Noé solta da janela
Um corvo
que volta sem nada.
Esperaram muito mais…
O branco, a pomba, foi lançado
E volta com verde no bico.
Euforia total…
Esperaram, largo tempo
as águas baixarem,
para desembarcarem.

Noé recepcionou todas as espécies.
No mar de lama e barro
Era a terra pronta
para fazer seu trabalho.
Fértil!…
Muito verde dali iria brotar
bastava apenas trabalhar.
Os bichos, um a um…
sapo, ovelha, porco, galinha, pintinho…
Para a nova terra habitar
e a ela repovoar.

As cores dos animais
misturaram-se às do céu.

Da nuvem azul que pairava no ar
deslizava um arco
repleto de cores:
roxo, azul, turquesa, amarelo…
Que beleza!
Laranja, vermelho, muito vermelho, de fogo.
Uma explosão de cores,
Era a festa da união:
Deus, homens, animais,
nada mais….

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