22fev
2013
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A Galinha Ruiva em versos

                    Beth Cury

Era uma vez uma Galinha Ruiva
feliz com seus pintinhos.
Isto não é lenda –
moravam numa fazenda.
Ciscavam no terreiro
atrás de comidinhas:
sementes, bichinhos, verdurinhas.
Às vezes, entre eles, surgia uma correria.
Quem diria?
A turma toda em disputa
– uma verdadeira luta –
por uma mesma minhoquinha.

Um belo dia
Mamãe Ruiva, seguida dos filhinhos,
a passos largos,
cheia de si, falante:
– Có, có, có…
– como choca que se preza –
cisca que cisca
quando, de repente, achou:
– O quê?
Dois belos grãos de milho
fortes, reluzentes,
boas sementes!
Teve então uma ideia:
– Vou plantá-los.
Darão boas espigas.
Com elas poderei fazer gostosuras.
Os pintinhos e os amiguinhos
poderão saboreá-las
entre as muitas diabruras.

Reuniu a turma de amigos
atrás de ajuda:
-Quem planta comigo?
As espigas serão tantas!…
– Eu não, respondeu o pato
no ato: quá, quá.
– Eu não, disse o cão: au, au, sem maior explicação.
– Eu não, juntou o porco:
coim, coim, olhando pro alto,
dando linha na pipa, o maroto.
– Nem eu: miau, miau – juntou o gato,
ajudo o porco, de fato.

A galinha, aborrecida
saiu decidida.
Achou bom lugar,
ciscou, fez covas,
plantou.

A plantinha germinava,
crescia
enquanto a turminha brincava.

O sol veio
foi
a chuva caiu
o sol voltou.
Só a chuva não retornou.

Preocupada, a Galinha procurou ajuda:
– Au, au – eu não.
– Coin, coin – eu não.
– Eu não – quac, quac.
– Eu não – miau, miau.

Cão, porquinho, pato,
todos ao largo, no lago.
O gato, que não nada,
só olhando,
de lado.

Mamãe Ruiva, então, regou,
sozinha.
O milho cresceu,
espigas produziu.
– Que bonitas as espigas! Viçosas.

Chegou a hora de colher.
– Amigos, quem vai me ajudar?
– Eu não – quac, quac.
– Eu não – au, au.
– Eu não – coin, coin..
– Eu não – miau, miau.
E em coro:
– Estamos jogando peteca,
(achamos uma desculpa. Eureca!)

Agora, debulhar.
Nesta hora, alguém pra ajudar?
– Eu não – quac, quac.
– Eu não – au, au.
– Eu não – coin, coin..
– Eu não – miau, miau.
Todos juntos, jogavam queimada,
depois de uma pelada.

De novo só.
-Có, có, có…
A Galinha Ruiva
de carriola
junta as espigas no terreiro
debulha, debulha
trabalho para dia inteiro.

Hora de socar todo aquele milho.
Outra vez a Galinha pergunta:
– Quem me ajuda a triturar?
Ouviu a resposta de sempre:
– Eu não – quac, quac.
– Eu não – au, au.
– Eu não – coin, coin..
– Eu não – miau, miau.
– Agora é bolinha de gude,
estamos jogaaaaando,
e estamos gostaaaaando!

De novo a Galinha pedindo
e ninguém atendendo.

Só ela fazendo.
Milho moído, milho socado,
farinha pronta.
Chegou a hora
por ela tão desejada:
fazer as tais gostosuras imaginadas.
– Quem me ajuda?
– Eu não: au, au, quá, quá, coin, coin, miau, miau,
queremos diversão.

Sozinha, cheia de vontade
a Galinha, num instante:
forno quente, aroma de bolo no ar.
– Que cheirinho,
entrando por todos os caminhos,
por todos os cantinhos!

Mamãe Galinha arrumava a mesa.

– A toalha?
A de piquenique, é claro.
Queria agradar os seus pintinhos
que brincavam, de balança,
de e
s
c
o
r
r
e
g
a
dor,
de amarelinha.
O cachorrinho, o pato, o porquinho, o gato
foram se chegando
-olho comprido –
com o aroma inebriados
de fato, aguados.

Dona Galinha então pergunta:
– Quem me ajudou
a plantar
a regar
a colher
a debulhar
a triturar
a preparar?

Não tinham resposta.

Muito sábia, disse a Ruiva:
– Eu e meus pintinhos, agora, vamos nos deliciar.
– E vocês?
……………..

– Vocês podem comer
com uma condição:
da próxima vez, não dizer não.

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