15abr
2011
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Cinderela: diferentes versões

Os contos de fadas são obras de arte de tempos imemoráveis, transmitidos oralmente de geração em geração ao longo do tempo e nas diferentes culturas.

No final do século passado, foram coletadas por M.R.Cox, uma pesquisadora, trezentas e quarenta e cinco versões do conto Cinderela, indicação no livro Acordais de Regina Machado. 
Cada autor apresenta características variadas em suas versões de acordo com a época, com a cultura…

Charles Perrault interessou-se pela arte narrativa, de tradição oral no século XVII.

Os irmãos Grimm publicaram na Alemanha um conjunto de contos recolhidos da tradição oral no século XIX.

Esses contos antigos têm versões não muito agradáveis e bem diferentes das que conhecemos hoje pelos desenhos de Walt Disney e filmes que estão sendo lançados ultimamente.

O conto – Cinderela, dos irmãos Grimm começa com a morte da mãe de Cinderela, fazendo seu pai se casar novamente, para não deixar a filha sozinha. Porém a escolhida é uma mulher com duas filhas insuportáveis. O pai de Cinderela morre e não demora para que a pobre menina vire a escrava da casa, tendo que vestir trapos e morar ao lado das cinzas do fogão, o borralho.

Um belo dia, chega um convite para o baile que duraria três dias – para que o príncipe escolhesse sua noiva. As irmãs e a madrasta vão, sendo que Cinderela não consegue permissão delas para ir junto.
Ela vai chorar na sepultura da mãe. Pede ajuda à árvore, que plantara ao lado do túmulo de sua mãe. Essa árvore é muito importante, pois foi um presente do pai quando retornava das viagens. As irmãs pediam vestidos caríssimos e joias, mas Cinderela pediu esse galho de presente. Nesse momento, aos prantos, pede ajuda para a árvore. Um passarinho, todo caridoso, ajuda Cinderela. Como num passe de mágica, aparece com um vestido.

Cinderela consegue ir ao baile, sem a carruagem dourada. Nos dois primeiros dias de comemoração, a moça foge do príncipe, volta cedo pra casa e esconde o vestido. Porém, na terceira noite, quando a jovem tenta fugir mais uma vez, as coisas não saem como o planejado. O príncipe manda passar piche na escadaria e o sapatinho que era de ouro, e não de cristal, fica grudado. Cinderela, apavorada, foge sem um sapato.

Os ajudantes do príncipe vão atrás da misteriosa garota com apenas um sapatinho em mãos.
Chegando à casa da madrasta, começa a mutilação: para o sapatinho caber no pé, a mãe dá uma faca pra filha e manda ela cortar o dedão.

A moça engole o choro e vai ver o príncipe, que aguardava por sua princesa do lado de fora. Eles vão em direção ao castelo quando, no caminho, passam pela árvore de Cinderela. Os pássaros denunciam a impostora com um belo versinho:

“Olhe para trás, olhe para trás,
há sangue no sapato,
o sapato é pequeno demais,
sua noiva lhe espera muito atrás.”

O príncipe volta ao casarão e leva a outra irmã, que corta um pedaço do calcanhar para o sapatinho servir.

Os pássaros mostram a verdade ao príncipe novamente com o mesmo versinho.

De volta à casa, os lacaios testam o sapatinho no pé da empregada e então encontram a verdadeira dona do coração do príncipe.

Cinderela e o príncipe se casam. Durante a festa de casamento, as irmãs aparecem tentando fazer as pazes. Os pombos furam os olhos das duas, que vivem como mendigas e cegas pelo resto de suas vidas.
Só tragédia!

A versão de Charles Perrault, de1697, é bem diferente. É mais conhecida, até por ser a mais parecida com a do filme de Walt Disney: com fada madrinha, carruagem e sapatinho de vidro.
Lembrando que os contos eram populares e na época em que foram escritos, tinham a finalidade de educar as crianças e distrair os adultos.

Contos de fadas: de Perrault, Grimm, Andersen & outros/ apresentação Ana Maria Machado; tradução Maria Luiza X.de A. Borges. – Rio de Janeiro: Zahar, 2010.

BELINKY, Tatiana. Gata Borralheira, in Os Contos de Grimm / tradução do alemão – ilustrações de  Veruschka Guerra  . São Paulo : Editora Paulus, 2013.

PERRAULT, Charles. Cinderela ou o sapatinho de vidro, in Histórias ou contos de outrora – ilustrações Gustav Doré; introdução, tradução, notas e outras histórias ou contos Renata Maria Parreira Cordeiro. – São Paulo: Landy Editora, 2004.

Comentário(1)

  • Erid Jeysom Moreira Machuca.

    Adorei, muito interessante e descobri um montão de coisas sobre a cinderela!

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