16abr
2011
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Cinderela em versos

                                                 Beth Cury

Era uma vez uma menina linda
boazinha, feliz.
Morava com o pai, cavalheiro, garboso
e com a mãe, terna, meiga, carinhosa,
num castelo majestoso.
Como o mundo era belo!
Que vida tão completa!

Mas, por desígnios da sorte,
sua mãe morre.
O pai, querendo cuidados de mãe
pra menina desolada,
de novo se casa.

A nova mulher,
a madrasta,
vem no castelo morar,
com duas filhas,
de quem ainda não vou falar.

Pobre menina a nossa!
Que infortúnio!
Seu pai sempre distante, viajante!
Assim, vive sem o pai também.
Conhece então uma vida
sem nenhum bem.

Do conforto da nobreza
 –  vivia antes como princesa –
passa a encarregada da limpeza
do castelo inteiro,
da escadaria toda,
que lava de joelhos
com mãozinhas miúdas
até então afeitas
à maciez dos veludos.

Os dias passavam, os meses, os anos,
cada vez uma vida pior.
– Penteie meus cabelos, – ordenava uma irmã;
– Amarre primeiro o meu laço – gritava a outra mais alto.

A pobre menina só descansava, quando o dia acabava.
Nem lugar pra ficar tinha.
Seu aconchego eram as cinzas quentinhas, no calor do fogão.
Seu lugar: o borralho.

Amiguinhos,
de dia,
os passarinhos.
De noite, só solidão.

Eis que um dia,
o reino se alvoroça:
um convite real
aos súditos desse mundo,
para alguns, ideal.

Um baile de gala:
o príncipe herdeiro se casa
e há de escolher uma moça do reino.
Que venham elas, belas, singelas.

Vestidos, fitas e laços
colares, sapatos
de todas as cores e trato.
Em todos os lares
os familiares
aprontam as moças, de fato.

A madrasta e as filhas se esmeram.
Na arrumação
se desesperam.
Cinderela sonha, com vontade de ir,
tristonha.
O direito a ela é negado,
não tem trato, suas roupas não passam de trapos.
Dão a ela serviço de sobra,
temem seu brilho e beleza,
não terminará a tarefa, na hora, com certeza.

As irmãs ela enfeita,
depois, chorando se deita.
Viu-as partir
sem direito de, de novo, pedir.
– Queria tanto também ir!…
Mas nem roupa tem!

De repente…  eis que surge … a fada madrinha
dessa menina do bem.
De varinha no ar
cria o que a menina não tem:
um vestido de véu
com brilho de luz
um diadema de jóia
de joalheiro do céu.
Nos pezinhos, sapatinhos do mais puro cristal.
Rapidamente, a menina apronta.

Uma carruagem, cavalos, cocheiro, lacaios
 faz surgir como um raio.
Ratinhos amigos,
lagartos lá do jardim
dizem logo que sim.
Uma abóbora em ouro
ela torna.

A visão é um tesouro.
Parte a carruagem
não perde a festa por um triz.
A fadinha avisa:
à meia-noite o encanto terá fim.

A menina pisa no baile
o príncipe de pronto a arrebata
seu coração balança.
Só com ela ele dança.

No enlevo do instante
a hora avança
e a menina se esquece.
Soa o relógio
as badaladas fadadas.
A menina foge, o encanto acabado.

Na fuga,
um sapatinho fica
esquecido na escada.
O príncipe que acode
pra alcançar o par amado
volta desconsolado.
Só isso lhe resta!

No dia seguinte, seu pai
o reino movimenta
à procura daquela
por quem seu filho se encanta.

Com soldados da corte,
vestidos em seus uniformes,
com toda a pompa
de futuro rei, em busca da sorte
vai ele..
Nenhuma moça, nenhuma casa
lhe escapa.
De sapatinho na mão
anuncia:
– Será minha princesa aquela a quem o sapatinho servir.

Não foi diferente
no castelo,
onde morava Cinderela:
uma irmã experimenta:
 – Não cabe!
A segunda também experimenta! – de novo,
com esforço, mas:
– Não cabe!
Lamenta a mãe ambiciosa.

O príncipe pergunta:
– Há alguém mais nesta morada?
– Não! – responde a madrasta mal intencionada.

Mas eis que entra na sala,
maltrapilha, Cinderela,
na roupinha de todo dia.

Não perde tempo o príncipe.
Experimenta, nos delicados pezinhos,
da menina do borralho
o sapatinho.
– Serviu!

E ela tem o outro. Pra surpresa de todos
tira do bolso.
Ela mostra.

Não faltou mais nada.
A menina, compensada pela sorte, segue feliz
para um destino que todo mundo sempre quis.

Com o príncipe se casou e da madrasta e das irmãs invejosas se livrou.

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