27maio
2014
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João e Maria em versos

João e Maria em versos

                                                                                              Beth Cury

Dois irmãozinhos

– João e Maria –

unidos

indefesos

pobrezinhos

de pão e de atenção.

É que o pai

ouvindo pedidos da mulher

– uma mulher sem coração –

diante da falta de comida

naquele lar

aceitou a ideia dela

de na floresta as crianças abandonar.

Contra a vontade, o pai concordou com a atitude malvada.

Combinaram à noite

que sairiam com as crianças na madrugada.

Mas… João e Maria a tudo ouviram.

A menina chorou

e João a consolou:

– Deixe estar, irmãzinha,

vou encontrar um jeito

de nos defender.

Deus há de nos proteger.

Dito e feito: de madrugada

a madrasta os acordou

e a caminho da floresta  logo se puseram.

O menino enchera os bolsos do paletozinho

de pedrinhas para marcar as trilhas.

Na volta era só segui-las.

Foi o que fez

seguindo atrás:

marcou o

                c

                   a

                     m

                         i

                           n

                              h

                                 o

com muitas

                        p

                           e

                             d

                                r

                                  i

                                    n

                                      h

                                         a

                                            s.

Chegaram a uma clareira.

– Vão recolher lenha! – ordenou o pai

com o coração doído

quase arrependido.

– Vou acender uma fogueira.

Madeira acesa

as crianças se sentaram aquecidas

pra comer o pedaço único de pão dormido.

O pai e sua mulher se afastaram

dizendo que iam recolher

mais lenha pra fogueira.

Mas fugiram.

Não mais voltaram.

Deixaram amarrado um pau

num tronco seco

que batia, batia com o vento

pras crianças acharem que era o machado batendo

que eram eles atrás de lenha, recolhendo.

Que nada!

Anoiteceu. Não voltaram mesmo.

Maria chorava.

João então resolveu –

tomou o caminho de volta

e a lua favoreceu:

iluminava as pedrinhas brancas

que o caminho indicavam.

Chegaram em casa assustados

e o pai os abraçou contente –

via o seu mal anulado.

Mas a madrasta não se conformou.

Convenceu o marido a fazer tudo de novo:

voltar à floresta, sem demora

agora por outro caminho

e chegar a um ponto emaranhado.

 – Voltar dele era complicado.

As crianças ouviram de novo a conversa.

Maria, menorzinha,

chorava.

De novo João a consolava.

Já não conseguiu pegar pedrinhas

a madrasta a porta trancara.

Teve de marcar o caminho

com o pão que ganhara.

Só que o menino não viu: sabem o quê?

…………………………………………..

Os passarinhos que os seguiam e iam comendo todo o pão que era a marca do caminho.

Tudo de novo:

recolher lenha, acender a fogueira, as crianças aquecidas, adormecidas.

Acordaram de noite.

Ninguém por perto.

O caminho?

Não encontraram.

Dormiram de novo, abraçadinhos, com muito medo.

Procuraram o caminho.

Não havia mais caminho.

Andaram três dias, com fome, cansados.

Foi quando viram um pássaro branco – era uma pomba. Pousou sobre uma casa. As crianças a seguiram e viram:

– Era de doce a casa: caminho de açucarado!

Telhado de marshmellow!

Paredes de bolacha!

Porta de chocolate!

Janela de açúcar!

Que delícia!

Uma bela refeição!!! Era miragem?

Começaram a comer – telhado, janela

e ouviram um barulho dentro dela.

– Quem  está aí e come minha casinha?

Era uma senhora

na verdade, uma bruxa

que se fazia de boazinha.

Mandou entrar as crianças

Deu-lhes comida e cama  gostosa,

mas, de manhã,

trancou João numa gaiola.

A Maria, deu todas as tarefas da casa:

lavar, limpar, arrumar

cozinhar muito, muito

muita comida:

a velha malvada queria João engordar

é que queria devorá-lo

gordinho, gordinho.

Todos os dias pedia-lhe pra ver o dedinho.

Ele, que desconfiara,

mostrava um ossinho que encontrara.

Bruxas têm olhos vermelhos e enxergam mal.

Por isso, ela demorou a perceber

que estava sendo enganada.

Mas, quando percebeu, resolveu:

– Vou comê-lo amanhã! – disse por dentro.

Na manhã seguinte:

– Maria, ponha um caldeirão de água a ferver, acenda o forno também.

Pensou:

– Vou cozinhá-lo e depois assá-lo.

Maria, que desconfiou, acendeu o fogo,

mas o forno

fingiu não saber.

A bruxa então:

– Que tola, é assim! – e acendeu.

Com a bruxa inclinada, com meio corpo lá dentro,

Maria aproveitou – empurrou a malvada.

A porta de ferro do forno? Trancou!

Eela pra sempre lá ficou.

Maria correu, libertou João

e juntos encontraram

moedas de ouro, jóias

até pelo chão.

Recolheram

e pra casa rumaram.

Já conheciam melhor a floresta

e os bichinhos ainda ajudaram.

Encontraram o caminho,

a casa.

Encontraram o pai e abraços, abraços, bastantes…

A madrasta? Tinha morrido .

Só agora, depois de muita história, puderam viver felizes, pra todo o sempre.

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