30ago
2012
1

Os Músicos de Bremen em versos

                                                                                  Beth Cury

Era uma vez…

um burro aborrecido
cansado de tanta carga carregar.
Um belo dia resolveu:
– Vou deixar esta fazenda,
não é lenga lenga,
vou me pôr a caminhar.
com os burros n´água não quero dar.
Parto, antes que meus donos me descartem
e eu fique cheio de mágoa.

E saiu pelo caminho.

Logo ali adiante, numa encruzilhada
uma seta, um destino apontando:
– Bremen!…
– É pra lá que eu Vou!
É meu paraíso, quem sabe?

No caminho ele encontra um cão
fatigado
de tanto pra seus donos trabalhar.
Confessou sem disfarçar:
– Eu sabia que já não ajudava na casa:
– Em vez de vigiar, eu cochilava!
– Sossegue, não se torture,
sigo para Bremen,
venha também.
Dizem que lá tudo vai bem.

Seguiram os dois.
Andaram, andaram, até que
encontraram um velho gato:
– Olá, Senhor Gato! O que o traz por aqui,
nessa estrada cansativa, empoeirada?
– É que estou velho e superado.
Já não corro atrás dos ratos
me canso, quase morro.
Vou-me embora, agora, sem demora
Antes que me enxotem, porta afora.
– Junte-se a nós, estamos indo para Bremen.
Eu zurro, o cão rosna e você mia.
Podemos formar juntos, um conjunto
soltar nossas vozes, bem forte, pelo mundo.

Seguiram juntos unidos,
já amigos.
O que não faltava era assunto.

Até que numa cerca empoleirado
um galo também descartado
depois de tantas manhãs anunciadas.
Tristonho, assim, eles o encontraram:
-Escapei em tempo, ia virar uma canja!
Eu já não servia!…
– Ó amigo, vamos para Bremen,
disseram os três, numa só voz.
– Venha, será o nosso cantor.
O galo aceitou de imediato:
– Vida nova! Vamos embora!

Pela estrada caminharam
até que se cansaram.
Queriam um lugar para dormir
no meio da floresta.
O galo, que subiu na árvore mais alta,
ia ali descansar.
Mas… viu ao longe uma luz.
Ainda melhor:
– Uma casa!
anunciou alegre, batendo asas.

Para lá rumaram logo.
Pela janela viram:
– Que espanto!…
Mesa farta:
– Que fome!
Viram mais: moedas, muitas moedas,
de ouro! Estavam pela sala esparramadas!
Entenderam logo:
– Ladrões!
Que fazer?

Confabularam, combinaram:
numa espécie de estátua,
se posicionaram:
o burro, o cão, o gato, o galo,
um sobre o outro encarapitado,
soltando as vozes, pra assustar:
zurros escandalosos, rosnados ferozes,
miados esganiçados, cucuricos descompassados.
Assustadora, infernal
essa montagem fenomenal!

Fugiram os ladrões
compraram gato por lebre.
Para longe do estranho monstro
por eles desconhecido
correram, apavorados
deixando para trás
tudo o que tinham pilhado.

Felizes, pelo efeito da sinfonia,
os quatro entraram na casa.
Comeram as gostosuras,
acomodaram-se com sono:
o burro – atrás da porta
o cachorro – num canto
o gato – na cadeira
o galo – empoleirado ali na mesa.

De repente, entra, sorrateiro
um dos ladrões.
Queria ver se a “fera” tinha-se ido.
Sussurando de si para si mesmo, dizia:
-A “fera” ?!… Será que ela está aí???
 
Qual não foi sua surpresa!

O tal ladrão
até hoje ainda conta:
-Foram arranhões, bicadas, coices, mordidas…

De novo, o ladrão fugiu apavorado! Agora… de uma vez!
-Que fera! – dizia ele
e corria e olhava para trás.
Queria ver se ela, a fera o perseguia.
Assim foram-se os ladrões, para sempre.

E a história vai chegando ao fim.
Foi a cantoria e a união
que fizeram os quatro companheiros
se livrarem dessa enrascada
pior que espinheiro.

Ficaram juntos e felizes
para sempre.
No caminho para Bremen
alcançaram juntos a liberdade
e com ela a felicidade.

Venha você também.
Dizem que lá tudo vai bem.

Comentário(1)

  • Cícero Alvernaz

    Linda história. Traz de volta a minha infância no interior de Minas quando se iniciava o meu caminho pelo mundo das letras. Hoje, poeta, me farto com as letras, com os meus versos que são devorados aos milhares em muitos países do mundo. Obrigado, músicos de Bremen!

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