26ago
2013
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A Pequena Sereia em Doce

Era uma vez um reino encantado no fundo do mar. Lá viviam o rei do mar, Triton, sua mãe e seis encantadoras princesinhas. A mais nova era a mais bela, como todas as suas irmãs, não tinha pés, o corpo terminava com uma cauda de peixe. Era conhecida como a Pequena Sereia.

No fundo do mar crescem plantas que se agitam conforme o movimento das águas cristalinas. Em meio a esse cenário deslumbrante, fica o majestoso palácio de coral, que parece uma coroa, onde mora a família real.

O povo do mar adora a realeza, principalmente a princesa caçula, que tinha uma voz maravilhosa com que encantava a todos.

As princesinhas adoravam ouvir as histórias que a rainha avó contava.

A pequena sereia viajava quando o assunto enfatizava a vida dos homens. Ela era a única que não conhecia a superfície, direito apenas adquirido quando a sereia completasse quinze anos.

A Pequena Sereia pedia para as irmãs mais velhas descreverem tudo o que elas viam quando subiam à superfície. Havia muita ansiedade para chegar o seu dia memorável. Demorou uma infinidade para a sereiazinha, mas finalmente chegou o grande dia em que a pequena sereia completava quinze anos. Foi uma festa com vários momentos comemorativos. Era uma data especialíssima, o dia em que o rei Triton dava permissão para sereia subir à superfície.

Agora ela poderia conferir tudo o que lhe tinha sido descrito durante os quinze anos de sua vida.

A festa durou o dia inteiro. Houve tempo para as sereias visitarem os seus jardins, como de costume. As seis princesas cultivavam cada uma o seu pedaço de acordo com a própria imaginação e criatividade. Uma delas dera ao seu, o formato de baleia. A outra preferira um baú rodeado de folhagens. O jardim da outra princesa, apenas anêmonas brancas sobressaiam naquele azul inebriante. A mais nova havia desenhado um sol de flores ao lado de uma branca estátua de um humano, com quem sonhava todas as noites, sem ao menos conhecer. Isso só aconteceu porque suas irmãs descreviam tudo muito bem.

A festa culminou com um momento especial, algumas sereias presentes e ela sendo presenteada com um manto de sua cor preferida, a cor da paixão. Nesse momento ela renasce para uma nova realidade: poder ver e sentir o calor do sol. Subiu muito, muito… no lugar onde viviam era extremamente distante da superfície. Como os festejos demoraram demais, ela chegou na hora mágica em que o sol beija o mar e reflete seus raios dourados nas águas azuladas do oceano. Era simplesmente um espetáculo fascinante: o pôr do sol daquele dia encantador.

Anoitecera rapidamente. As estrelas brilhavam na imensidão do céu azul escuro que contrastava com o do mar. A sereiazinha nadava, nadava e nadava, não queria perder nenhum detalhe. De repente ela se deparou com uma embarcação e com um homem maravilhoso, exatamente igual ao de seus sonhos, muito parecido com a estátua de seu jardim, a que encontrara no fundo do mar.

Sem ela esperar, muitos clarões, fachos de luz por todos os lados. Uma maravilha! A Pequena Sereia boquiaberta com tamanha beleza, nem percebeu que o mar estava extremamente revolto. Depois de tanta claridade dos fogos de artifício, o azulão do mar estava em total agitação. O navio em que estava seu amor naufragou.

A sereiazinha viu que o príncipe estava se afogando. Ela nadou muito, mergulhou, mergulhou… encontrou o rapaz se afogando e carregou-o para bem longe dos destroços do navio. Estava muito assustada e exausta, mas conseguiu levá-lo a uma praia mais próxima. Não podia andar, deixou-o na areia, longe da água. Nesse momento cantou para ele na intenção de despertá-lo, mas foi em vão.

Percebeu a aproximação de alguém, então, rapidamente a sereia fugiu e ficou de longe observando atentamente. Uma moça se aproximou do rapaz e o ajudou. A sereiazinha foi embora, porém tranqüila,pois o seu amado estava salvo.

A sereia voltou para seu reino, contou às suas irmãs tudo o que acontecera na superfície. Como ela estava apaixonada por aquele rapaz, gostaria de vê-lo novamente. Suas irmãs sabiam onde ele morava, disseram lhe que era um príncipe que passava as tardes em um lugar especial, só observando o mar.

A descrição das irmãs foi fundamental para a sereiazinha encontrar o príncipe encantador. Ela ficava horas olhando apaixonadamente para ele, sempre muito longe, sem ser notada. Ele, no píer observando o mar e ela só observando seu amado.

A sereia estava obcecada pelo príncipe, não conseguia mais viver sem ele e para isso precisava de pernas.

Certo dia quando todas as princesas ouviam uma história contada pelo rei Triton, ela aproveitou o momento e fugiu. Todos estavam tão entretidos que nem perceberam seu sumiço. A Pequena Sereia só encontrou uma solução: procurar a bruxa do mar.  O lugar era completamente sombrio e assustador, mesmo assim prosseguiu com seu plano. Expôs seu problema e a bruxa lhe deu uma poção mágica, elaborada com a língua da sereiazinha, que trocou sua maravilhosa voz por pernas tão sonhadas. Era a transformação de sereia em humana. Se um humano se apaixonasse verdadeiramente por ela, seria humana para sempre, caso contrário se transformaria em espuma.

Emergiu rapidamente e nadou até chegar ao píer. Lá bebeu a poção mágica dada pela bruxa e seu corpo se transformara, não tinha mais cauda e sim pernas. O príncipe, como de costume, foi ao píer e viu uma moça, sem sentidos, estirada no degrau. Ele a carregou até seu palácio e cuidou dela.

Ela não falava, tinha trocado a voz pelas pernas. O príncipe se encantara com a pessoa que o encantou com a voz maravilhosa naquele momento difícil do naufrágio. Ele apaixonara-se pela dona da voz. Gostava da sereiazinha, passeava com ela por todos os lugares, mas só pensava na dona da voz. A sereiazinha, agora com pernas não podia fazer nada, não conseguia nem falar.

Um belo dia o príncipe se casou com uma linda princesinha. Casaram-se em um navio. Um sonho de casamento! Será que ele se casou com a sereiazinha que se tornou humana, ou a sereiazinha se transformou em espuma porque o príncipe se casou com outra princesinha? Só sabemos que foram felizes para sempre!

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