30jan
2019
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A Bela e a Fera em Doce

Era uma vez uma família rica, formada por um grande comerciante e seus seis filhos: três meninos e três meninas. Ele fizera de tudo para dar uma excelente educação aos filhos. Infelizmente, seus negócios não estavam bem e ele perdeu toda sua fortuna. Só lhe restou uma casa no campo.

Todos tiveram que deixar para trás o luxo da cidade para viver e trabalhar no campo.

Das três filhas, a mais nova, que pela sua beleza era chamada de Bela, ficou extremamente aborrecida por ter que abandonar toda a riqueza, mas arregaçou as mangas e passou a trabalhar muito. Mesmo assim, tinha tempo para ler, pois adorava os livros, tocar seu cravo e cantar para espantar a tristeza. Já as irmãs não faziam absolutamente nada, só reclamavam por estar no campo. Os irmãos ajudavam bastante.

O pai, depois de um ano da partida da cidade, recebeu uma carta dizendo que havia um navio com muitas de suas mercadorias no porto. Supôs uma boa oportunidade de comerciar. As duas filhas, imaginando que a fortuna voltava, pediram ao pai vestidos, joias, perucas… e a caçula, a Bela, percebendo tantos pedidos das irmãs, imaginou que não restaria mais dinheiro, então pediu-lhe apenas uma rosa, já que não custaria muito.

O negociante partiu e lá no porto os fatos não ocorreram como se esperava, pois não conseguiu reaver absolutamente nada por não ter a documentação correta. Voltou do porto exatamente como chegara, pobre. Estava tão aborrecido e cabisbaixo que nem percebeu que perdera o caminho de casa. Nevava muito. Já exausto, encontrou-se em um túnel de árvores que o protegia. Bem ao longe, no final dessas árvores, avistou uma luz. Cavalgou nessa direção, a do clarão e logo encontrou um palácio. Colocou o cavalo no estábulo e adentrou o castelo.

Dentro do salão majestoso, havia fartas mesas com pratos e talheres só para uma pessoa. Como estava faminto, serviu-se, pois já estava muito tarde da noite, aproximadamente onze horas. Não encontrou ninguém no palácio. Precisava descansar e assim o fez. Ao acordar no dia seguinte, havia roupas limpas no lugar das suas estragadas. Vestiu-se, desceu e tomou café, sem encontrar absolutamente ninguém. Saiu e foi pegar seu cavalo para partir. No caminho, encontrou um magnífico jardim florido com maravilhosas rosas. Nesse momento, um som terrível quebrou toda a magia do lugar, pois aparecera uma fera furiosa, já que mexera em seu jardim e cortara uma rosa, flor que a fera amava mais que tudo na vida.

A fera não se conformava de ter dado tudo para o negociante e ele ainda lhe arrancara seu bem precioso: a rosa. O monstro decidiu matá-lo por tamanha indelicadeza e ingratidão. O pobre homem tentou justificar dizendo que a bela flor era para uma de suas filhas. O monstro questionou tudo e disse que já que ele tinha uma filha, ela poderia morrer no lugar dele. O pai logicamente não trocaria de lugar com a filha, mas aceitou a condição para poder ver os filhos pela última vez e prometeu à fera que voltaria. A fera, como era muito boa, pediu ao homem que enchesse um baú com tesouro, pois mandaria chegar até sua humilde casa. O bom homem partiu.

Chegando em casa, o pai deu a rosa à Bela e contou a todos quão preciosa era a flor e que o pagamento lhe custara a sua morte. As filhas mais velhas acusavam a caçula por ter pedido a flor. Não poderia ter pedido outra coisa? Todos choraram exceto Bela que decidira ir no lugar de seu pai. Os irmãos disseram que matariam a fera, mas o seu pai comentou que era impossível por se tratar de um monstro bem poderoso.

No dia seguinte, o pai e a Bela partiram para o fatídico momento. As irmãs estavam felizes, pois finalmente se livrariam de Bela, já os irmãos estavam com os corações dilacerados.

Quando chegaram ao palácio, pai e filha deram de cara com uma magnífica mesa posta. Não tinham vontade de comer, mas Bela, para dizer que estava tudo bem, começou a servir o pai e então cearam. De repente, a Fera aparece e Bela ficou apavorada, porém tentou de todas as formas disfarçar, primeiro para não deixar o pai mais preocupado e depois para não deixar a fera irritada.

Na manhã seguinte, o pai partiu e prometeu à Fera que nunca voltaria. Bela disse ao pai que ficasse tranquilo, pois sonhara com uma fada que lhe tranquilizara e que teria as bênçãos dos céus pela atitude tão nobre de se colocar no lugar do pai.

– Fique tranquilo meu pai. Estou muito bem. Vá em paz! Adeus, – disse a Bela com muita bondade no coração.

Ficou no palácio por muito tempo. Era bem tratada pela Fera. Todas as noites, na hora do jantar, a Fera aparecia exatamente às 21h e sempre perguntava à Bela:

– Você gostaria de se casar comigo?

Bela era sempre sincera e dizia que não. Nesse momento Fera soltava um urro tão estridente que a deixava bastante triste, pois não queria magoá-la.

Passaram meses e meses, até que Bela sentiu saudades do pai e foi-lhe permitido vê-lo pelo espelho mágico. Descobriu que o pai estava doente. Como os irmãos estavam no exército, as irmãs casadas, vivendo em suas casas, o pai estava totalmente sozinho. Bela implorou à Fera para poder visitá-lo e cuidar dele. Fera aceitou a proposta, desde que ficasse apenas oito dias, pois não suportaria ficar longe dela e padeceria. Bela aceita as condições e o monstro lhe dá um anel: quando fosse o momento de voltar era só colocar o anel nobre ao se deitar.

No dia seguinte, Bela já estava na casinha do pai. As irmãs, que foram visitar rapidamente o pai, encontraram Bela e não se conformavam com a beleza da irmã e a suntuosidade de seus vestidos. Bela quis dar alguns a elas, mas no mesmo instante em que pensou os vestidos desapareceram. Os objetos de cobiça só retornaram quando o pai convenceu Bela de que os vestidos eram dela, presentes da Fera, portanto não poderiam ser dados a ninguém.

As irmãs ficaram furiosas e bolaram um plano para segurar Bela mais que oito dias, pois a Fera ficaria ensandecida e a mataria.

Assim foi feito, Bela ficou mais dias do que o combinado. Preocupada com a Fera, acabou sonhando que ela estava morrendo no jardim próximo ao canal.

Acordou ressaltada e colocou o anel sobre a mesa. Magicamente retornou ao palácio da Fera, onde procurou-a em todos os aposentos e não a encontrou. Lembrou-se então do sonho. Foi ao jardim e lá estava e Fera agonizando. O jardim também morria aos poucos. Bela, imediatamente, pegou água para refrescar a Fera e aos prantos comentou:

– Não posso viver sem você! Você é muito especial para mim. Vejo que a aparência é insignificante. O mais importante é seu caráter e sua bondade. Vai viver para se tornar meu esposo.

Dito isto, a Fera se transformou no belo príncipe que era antes da transformação que havia sofrido, pois uma fada má o condenara a viver como fera.

Bela pergunta ao príncipe:

– Onde está a Fera?

Ele conta a ela toda a sua história.

Felizes, retornaram ao palácio onde toda a família da Bela os aguardava para a realização do casamento. Tudo se dera num passe de mágica.

Nesse momento, as irmãs da Bela foram transformadas em estátuas que ficaram ao lada da entrada do castelo para se certificarem da felicidade do casal. Segundo a fada, aquela dos sonhos de Bela, as suas irmãs só voltariam à forma original, caso se arrependessem de todas as maldades cometidas contra Bela.

Elas ficaram muito tempo, pois a Bela e a Fera, agora príncipe e princesa viveram felizes para sempre!

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