17fev
2014
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Colégio Uirapuru – Sorocaba – Anuário

Era uma vez…
Tais Rocha Lino Ieric

Colegio-Uirapuru-Sorocaba-Livro-Joao-e-Maria-em-Doce-de-Elisabete-Ribeiro-Doces-HIstorias-Era-uma-vezEra uma vez… quem nunca viveu a emoção de ouvir essa frase ou de se imaginar a princesa ou o príncipe das histórias, ou então de perder o sono com medo da madrasta ou da bruxa em seu quarto?

Os contos de fadas e outros contos tradicionais fazem parte do repertório dos alunos desde cedo, a linguagem oral carrega a tradição das contações das histórias. No 1º ano, os contos de fadas não se distanciam do universo das crianças.

A autora Glória Radino coloca que a psicologia tem mostrado que as crianças necessitam de atividades mais expressivas para seu desenvolvimento sadio. Essas podem ser realizadas por meio de brinquedo, dos contos de fadas, da música, das artes plásticas, da expressão corporal, entre outras. Com tal propósito, a sequência didática do gênero em questão foi elaborada pensando no caráter lúdico, validando o faz de conta da infância, permitindo às crianças experimentarem livremente suas fantasias, imaginação e criatividade.

Os momentos de leitura são pensados no ato de contar histórias, ou seja, um contato mais íntimo entre professora e alunos, para que a emoção de cada um possa manifestar-se e, dessa maneira, fazê-los vivenciar mais intensamente a história.

Foi pensando nesse caminho, que aliamos os contos de fadas com a aquisição da leitura e escrita. Com a leitura compartilhada da obra “Meu primeiro livro de contos de fadas”, de Mary Hoffman, os alunos conheceram contos até então desconhecidos para a maioria. A cada leitura uma nova vivência, esse foi o lema durante as atividades.

Para que as crianças pudessem conhecer as histórias originais dos Irmãos Grimm, a leitura foi complementada com os livros “Contos Maravilhosos Infantis e Domésticos”. Após ampliarem o seu repertório, os alunos reescreveram as narrativas mais conhecidas à sua maneira, respeitando a imaginação, criatividade e, principalmente, o processo de alfabetização em que se encontravam. Nestas escritas não ocorreram revisões e intervenções diretas da professora. As produções foram organizadas de modo a possibilitar reflexões espontâneas e intensas sobre a escrita. Para trabalhar com a estruturação do gênero, o conto João e Maria foi o escolhido para a reescrita, com foco no processo de revisão. Para que houvesse discussão sobre o enredo e a ordem dos acontecimentos a respeito do conto, foram lidas outras versões e construído um quadro comparativo entre as histórias conhecidas.

É válido justificar a importância de reescrever textos conhecidos no processo de alfabetização. Quando a criança tem a oportunidade de reescrever um bom texto, com a qual esteja familiarizada, como contos de fadas, tem a possibilidade de pensar apenas em como escrever, e não em o que escrever, como aconteceria se lhe fosse proposto à escrita de um texto de autoria.

Ao reescrever um bom texto, a aprendizagem envolve compreender diferenças entre a linguagem escrita e falada. Se a criança vai escrever uma história inventada, por exemplo, é natural que faça uso de expressões que costuma falarem seu dia a dia. Além disso, a proposta reescrita permite que a criança reflita sobre questões que se referem a alguns aspectos do gênero.

No trabalho com o conto “João e Maria”, a primeira narrativa foi reescrita coletivamente respeitando as falas das crianças, tendo a professora como escriba. Já a segunda parte do conto, foi reescrita em duplas. Neste momento, o objetivo do trabalho foi fazer com que as crianças avançassem em seu processo de alfabetização, adquirindo procedimentos de escrita, revisão e produção de textos de autoria.

A produção da segunda parte foi realizada no notebook. Os alunos foram orientados a inverterem os papéis a cada nova escrita, alternando em escriba e ditante. Embora os textos possam ser elaborados de forma manuscrita, a produção no computador é bastante interessante, pois de modo geral, este recurso instaura outras possibilidades de reflexão sobre o sistema, tendo o teclado como fonte rica de informações por apresentar todo o universo de símbolos utilizados em nossa escrita.

Duas vezes por semana as crianças escreviam um pedaço da história. Como a escrita se deu no computador, a cada nova escrita tinham a tarefa de reler o que já fora escrito e podiam realizar mudanças, sempre que julgassem necessário.

Nesses momentos as intervenções da professora aconteciam diretamente nas duplas. Os alunos eram questionados sobre alguma informação que estivesse faltando ou que não estivesse clara.

A revisão pontual de trechos de textos, da ordem dos acontecimentos e até mesmo da grafia de determinadas palavras, aconteceu na segunda produção e foi proposta pela professora para o coletivo.

Finalizando essa sequência didática os alunos se transformaram em verdadeiros autores ao produzirem a escrita do livro “João e Maria em Doce” ilustrado por Elisabete Ribeiro, a qual visitou as turmas a fim de responder as perguntas elaboradas por eles próprios a respeito da obra.

A produção individual do livro, elaborada de acordo com o repertório de cada aluno, possibilitou a valorização da escrita pessoal. A cada dia as crianças produziam três páginas do livro, ao final de duas semanas a história estava finalizada e pronta para ser autografada. Para validar o produto final, realizamos o lançamento dos livros, com os alunos autografando suas obras para seus familiares.

Esse momento concretizou o objetivo inicial do trabalho, que era possibilitar a vivência do faz de conta, fantasia e imaginação das crianças.

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