30jan
2019
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O Cachorro e a Sombra

Estava na cidade, andando a esmo pelas ruas de um lado para outro. Já passara horas e horas do almoço e o cachorro Salsicha não tinha colocado nada na boca, nem água. Estava faminto à procura de algo para saciar a fome.

De repente passou em frente a uma peixaria, mas nem se incomodou, não gostava de peixes. Ao lado havia uma casa de carnes. Não acreditou… Que visão maravilhosa!!! Uma tv só para ele, um cachorro, com uma programação alucinante: franguinhos tostados e apetitosos rolando… Seus olhos ficaram estarrecidos, hipnotizados… Até que ouviu do fundo da casa.

– Passa! Sai! Fora!

Percebeu que não era bem-vindo e não sobraria nem uma asinha, absolutamente nada.

Continuou andando em busca de comida até que avistou em frente a um parque latas e latas de lixo.

Não negou suas origens, virou todas as latas até encontrar numa delas um pedaço de carne.

Não acreditou, atravessou a rua feliz da vida com aquele apetitoso pedaço de proteína em sua boca trêmula.

Seguiu seu caminho de volta para casa onde se deliciaria com aquele pedaço gostoso. Para retornar precisava atravessar uma ponte que cruzava um rio com águas cristalinas.

O sol estava se pondo, as águas refletiam o laranja do magnífico por de sol. Maravilhado o cachorro observou tudo a sua volta e olhou para o rio e viu um enorme cachorro com um imenso naco de carne. Pensou: “Que maravilha! Olhe que pedação de carne! Inacreditável! Vou pular na água avançar e acabar com esse cachorro e arrancar dele essa maravilha”.

– AGORA!

Assim que caiu na água, perdeu seu insignificante pedacinho de carne, seu almoço e jantar, pois abrira a boca para atacar o cachorrão que não passava de seu reflexo. Fora traído pela gula.

Não tendo percebido isso, ele perdeu tudo. Saiu do rio sem nada e com muita fome, apenas  matou a sede. Ficou observando tudo a sua volta: havia patinhos em um lago próximo. Mas estava tão fraquinho, sem forças que não conseguiu nadar e continuou com fome e com muita raiva de própria burrice e ignorância. Afinal: “Quem tudo quer, tudo perde.”

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