02abr
2016
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Pinóquio em Doce

Era uma vez um pedaço de pau falante que, sem querer, estava nas mãos do mestre Cerejo. Esse nome, Cerejo, o mestre recebera por apresentar um nariz com a ponta roxa e muito brilhante. Era um excelente profissional, estava muito assustado com a habilidade do pau, nunca havia visto nada igual. O que mais ele queria era desfazer-se daquele material falante e reclamão.

Gepeto, um entalhador, morava próximo do marceneiro Cerejo. Um belo dia, acordou contente, inspirado, com uma vontade de entalhar um boneco para fazer-lhe companhia. Assim, Gepeto foi à casa do amigo para lhe pedir um pedaço de madeira. O amigo resolveu dar-lhe aquele pedaço assustador – a madeira falante!

Lá voltou ele para casa com a madeira. Logo que chegou, começou a esculpir o boneco com todas as ferramentas que possuía. Quando esculpiu o nariz, para seu espanto, o nariz começou a crescer, crescer… e Gepeto não se cansava de encurtá-lo.

Assim que ficou pronto o boneco, ele o colocou em pé no chão da oficina para ensiná-lo a andar, mas o boneco não só andou como também fugiu. Gepeto correu atrás dele. Gritos, correria… Um carabineiro percebeu que ele estava fugindo, plantou-se de pernas e mãos abertas no meio da rua para impedir o boneco de prosseguir.

Houve uma grande confusão na rua e as pessoas e curiosos falavam que o boneco seria castigado pelo brutamontes do Gepeto, que era chamado por eles de Pamonha ou Polentinha, devido à peruca amarela que usava.

O guarda ouviu a todos, libertou imediatamente Pinóquio e quem ele levou preso foi o Gepeto.

Pinóquio foi correndo para casa e de repente ouviu: “Cri-cri-cri-cri-cri… “ intermináveis…

Era um grilo e … falante.  Esse Grilo, inconformado com as atitudes de Pinóquio, questionou-o sobre tudo o que acontecera. Por causa da má conduta de Pinóquio, o seu criador fora preso. Imperdoável!

– Cri – cri – cri…

O grilo falou tanto, tanto que Pinóquio arremessou uma madeira atingindo o pobre grilo que simplesmente falava a verdade.

Agora, sozinho, continuou fazendo arte, até deixou-se queimar os pés e outras peripécias mais…

Assim que Gepeto voltou para casa, depois de alguns dias preso, refez os pés do boneco, alimentou-o e até vendeu seu único casaco para comprar uma cartilha, a fim de que Pinóquio fosse à escola para se tornar um menino educado.

Pinóquio, já com a roupinha que Gepeto fizera para ele – uma camisa de papel florido, sapatos de cortiça e um chapeuzinho de miolo de pão –, com a cartilha debaixo do braço, pegou o caminho que levava à escola.

No meio do caminho, ouviu sons diferentes. Como era muito curioso, foi conferir o que era. Observou   um cartaz maravilhoso, todo colorido e com desenhos de bonecos.

Ele não sabia ler e perguntou o que era aquilo. Responderam que o cartaz anunciava um teatrinho de fantoches.

Pinóquio ficou encantado e pensou: “Hoje vou ao teatro. Amanhã vou à escola.” Perguntou:

– Quanto pago pra assistir ao teatro?

– Quatro moedas. Replicou o bilheteiro.

Pinóquio não tinha o dinheiro, mas era astuto e acabou arrumando uma alternativa: vender a cartilha para se divertir. Ele nem se lembrou que Gepeto vendera o único casaco para comprar-lhe a cartilha.

Acontece que Polichinelo reconhece durante a apresentação o irmão, Pinóquio. Ele é chamado à cena e todos fazem festa, modificando totalmente a apresentação.

Não precisa dizer que o dono do teatro ficou extremamente nervoso com o ocorrido.

Passado um tempo, na hora do jantar, acabara a madeira para terminar o cozimento do assado. Mais do que depressa, o dono do teatro resolveu pegar um boneco para colocar no fogo para alimentar a chama.

Pinóquio intercedeu por eles e quase ele próprio vai para o fogo. O titereiro se condói da história de Pinóquio, liberta-o e ainda lhe dá cinco moedas de ouro para que o boneco compre um casaco para o pai.

Pinóquio saiu feliz da vida. Não tinha andado nem quinhentos metros e encontrou um gato cego e uma raposa manca. O boneco contou toda a sua história e principalmente que agora estava rico.

Os dois bichos riram dele, debocharam dos seus feitos e ele acabou mostrando as moedas para provar que estava falando a verdade.

Os dois malandros comentaram, então, que existe um lugar sagrado no País dos Patos chamado Campo de Milagres. Nesse local abençoado, pode-se plantar moedas, regá-las e durante a noite elas brotam, florescem e na manhã seguinte: “Você encontra muitas e muitas moedas”.

Os três foram para a Hospedaria do Camarão Vermelho para continuar a conversa e completar o golpe no Pinóquio. Eles comeram tudo o que tinham direito e os dois malandros foram embora antes do horário marcado, pois precisavam preparar o terreno para enganar o boneco.

Pinóquio, assim que percebeu que os dois haviam saído, foi atrás dos dois. Mais uma vez foi avisado pelos conselhos do Grilo Falante, e novamente o boneco o ignora.

Foram muitas peripécias, mais ou menos como gato e rato: Todo mundo queria enganar todo mundo, até que, perseguido durante muito tempo pelos malandros gato e raposa, capturaram Pinóquio, iam enforcá-lo num galho do Carvalho Gigante.

Mas o boneco fugiu. Correu, correu muito, fugiu dos dois malandros como pôde… Correu… Correu muito… de verdade, até que se deparou com uma casinha branca. Em frente a ela, bateu à porta onde estava uma menina de cabelos azuis, azul-turquesa, mais precisamente, mas ninguém que estava lá pôde ajudar, pois todos estavam mortos.

O gato e a raposa capturaram o boneco de novo, amarraram-no e de novo penduraram-no pelo pescoço, na mesma árvore enorme, o Carvalho Gigante. Os dois gatunos ficaram horas esperando o boneco dar sua última estrebuchada.

Mas, a menina de cabelo turquesa viu tudo de sua janela, viu o que acontecia com Pinóquio. Ficou com tanta pena dele que resolveu salvá-lo. A menina devia ser uma fada: chamou três médicos para essa ajuda: um corvo, uma coruja e um grilo falante.

Os médicos conseguiriam salvá-lo, desde que ele tomasse corretamente os remédios. Pinóquio se recusa, não quer tomar e nesse momento acaba visualizando coelhos pretos carregando um esquife. Depois de mentir tanto para a fada azul e o nariz crescer, crescer… ele resolveu tomar o remédio e se salvar.

Nesse lance todo, pica-paus acabam bicando a todo instante o nariz do Pinóquio para reduzi-lo de tamanho.

Pinóquio ficou curado, mas não aprendeu nada, pois saindo do episódio da casinha branca, logo foi ludibriado e roubado pela raposa e pelo gato.

Imediatamente Pinóquio foi reclamar na polícia que havia sido roubado e acabou preso.

Dias depois, quando foi solto, resolveu pedir ajuda para a fada e no meio do caminho encontra uma serpente horrível, atrapalhando sua passagem.

Pinóquio, faminto, foi por outro caminho e acabou invadindo uma propriedade para pegar uvas. O dono viu tudo e deixou o boneco preso, como cão de guarda, para ajudá-lo a descobrir quem estava roubando as galinhas. O esperto boneco acabou descobrindo tudo o que acontecia todas as noites, pois o cachorro do dono da propriedade enganava-o todas as noites, deixando os ladrões roubarem tudo.

Depois de inúmeras peripécias de Pinóquio, muitas mentiras, ele acabou se lembrando de seu pai, Gepeto, e com a ajuda da menina azul, descobriu que seu pai estava em alto mar, procurando por ele. Mais uma ajuda da fada azul: ela enviou uma pomba para junto com Pinóquio sobrevoar o mar para encontrar o pai. Desde o dia em que Pinóquio desaparecera, no primeiro dia em que fora para a escola, Gepeto procurava Pinóquio incansavelmente e agora estava em um barquinho no mar.

Pinóquio sobrevoou o mar, pedacinho por pedacinho, até que viu um barquinho bem ao longe –  jogou-se ao mar para ir à procura do pai. Não encontrou nem barquinho, nem ninguém.

Nadou horas, foi parar em uma ilha na Terra das Abelhas Operárias. Lá ficou sabendo que seu pai tinha sido engolido pelo grande peixe.  Reencontrou a fadinha azul, agora já crescida. Deixou de ser sua irmãzinha para ser sua mãezinha. E ela o ajudou mais uma vez. Pinóquio estava cansado de ser boneco, de não crescer, ficar sempre igual. Assim, pediu à fada para transformá-lo em menino e a fada disse:

– Meninos gostam de ir à escola, dizem sempre a verdade e são obedientes. E você, sempre faz o contrário de tudo isso!

Mais uma vez ele promete que irá à escola, será obediente, estudioso e verdadeiro.

Pinóquio torna-se sério, frequenta a escola, sofre bullying, pois é um boneco aprendendo a ler e a escrever… Ele não se importa, torna-se um dos melhores da turma de tanto que estava se esforçando.

Um belo dia, Pinóquio encontrou um bando de moleques que o tiraram do caminho da escola e, para variar, ele é levado à vadiagem. Pinóquio não toma jeito! Acabam brigando. Um dos meninos do grupo é atingido pelo livro de Pinóquio. Ele fica para ajudar o amigo, acaba sendo acusado da agressão e … preso.

Mais peripécias inacreditáveis!

Até volta à casa da fada, pede desculpas e faz mais promessas de voltar à escola, ser bom e se tornar um menino de verdade.

A fada mais uma vez lhe dá crédito, promete uma festa e deixa Pinóquio ir à cidade para convidar os amigos para o lanche, em comemoração à mudança.

Ele foi, mas, no meio do caminho, encontrou o pior aluno da turma, Pavio, que estava saindo da cidade, indo embora para o País dos Folguedos, onde não tem escola, nem professor…só brincadeiras.

Pinóquio diz:

– É a vida que gostaria de levar! – gritou Pinóquio.

Pela milésima vez, o boneco quebra a promessa feita e vai com o Pavio para a Terra das Brincadeiras. A carroça chegou com dezenas de crianças puxadas por burros, calçando botas.

Vão todos embora, inclusive Pinóquio. Tudo é farra no País dos Folguedos, o mesmo que se dissesse, no País das Brincadeiras. E foram muitas, de verdade! …

Uma alegria de festa.

Só se ouviam e escreviam pérolas: “Abacho a escola”. “Xega de deveris!”

Que bela vida!

Dias e meses de muita bagunça.

Depois de cinco meses, para surpresa de Pinóquio, Pavio em transformação: orelhas de burro, rabo de burro, não só nele, mas em cada um. Eles não se conformavam que tinham se transformado EM BURROS! … Eles e todos os meninos, por isso, agora, os burros da carroça, usando botas, transformados em burros de carga! Seguindo os resultados de suas escolhas – ir para um país onde não tinha escola, nem professor…só brincadeiras – cada um seguiu um caminho diferente e foram vendidos por um bom preço.

Pinóquio foi parar em um circo. Era um burrinho amestrado.

Estavam todos esperando o grande dia, cartazes por todos os lados: O grande espetáculo de Gala – Pinóquio – a atração principal.

Presente na plateia a fada azul, quando o burrico sofre um acidente e fica manco.

Burrico manco não serve para nada. O dono do circo resolveu jogá-lo no mar, matá-lo e de sua pele fazer tamborim.

Como ele havia se transformado em burro, os peixinhos comeram a carne do burrico, deixando a madeira do Pinóquio intacta, voltando a ser um boneco, como antes; mas, para se salvar do dono do circo, precisou nadar muito, para poder escapar. Totalmente exausto, nem percebeu a aproximação do Grande Peixe e é engolido pelo terrível, tenebroso e assustador peixe.

Dentro do corpo do peixe, escuridão total. Estava totalmente perdido. De repente vê bem ao fundo uma luzinha bem distante.

Curioso foi em busca da luzinha e encontrou uma mesinha com uma vela acesa dentro de uma garrafa verde. Sentado à mesa, estava um velhinho, já com os cabelos brancos como a neve, todo barbudo.

Adivinhem quem era.

Sim, Gepeto.

Foi uma alegria só!

Pensaram muito em como sair dali. Pinóquio teve a ideia de saírem pela boca do peixão, quando ele estivesse dormindo. Conseguiram sair, mas tiveram que nadar durante muito tempo até chegarem à praia. Pinóquio nadou muito e precisou carregar seu pai que não sabia nadar. Tiveram ajuda de um peixe para empurrar Gepeto à praia, pois Pinóquio estava muito cansado. Chegaram à praia completamente exaustos, mas, ainda assim, Pinóquio conduziu o pai à margem da estrada.

Eis que viram o Gato e a Raposa, mas Pinóquio estava esperto e desprezou os dois dizendo alguns provérbios:

“Dinheiro roubado não dá fruto!”

“A farinha do diabo não passa de farelo!””

“Quem rouba a camisa do próximo, acaba morrendo nu!”

– Adeus passantes e farsantes! disse Pinóquio e continuou seu caminho com seu pai.

Chegaram a uma cabana e pediram ajuda. Dentro estava o Grilo Falante que tinha recebido essa morada da fada. Gepeto estava muito doente e Pinóquio cuidou muito bem do pai.

Desde então, trabalhou e estudou bastante.

Estava fazendo tudo direito: trabalhando, estudando, cuidando do pai. Ele conseguiu juntar até um dinheirinho e, junto com o pai, decidiram que ele ia comprar uma roupa nova. Assim que chegou do trabalho, foi à cidade para fazer compras.

Antes de chegar à loja, Pinóquio encontrou uma lesma.

A Lesma questionou:

– Você se lembra de mim?

Pinóquio respondeu que sim, sabia que ela ficava na casa da menina azul. A lesma contou para Pinóquio que a fadinha estava muito doente, hospitalizada e infelizmente não tinha mais dinheiro para pagar o tratamento. Assim que soube da doença, Pinóquio resolveu dar todo o seu dinheiro para que a fadinha se recuperasse no hospital.

Agora ele teria que trabalhar muito mais para cuidar de Gepeto e da fadinha, a sua mãezinha.

Quando voltou para casa, Gepeto perguntou sobre a roupa nova. Pinóquio respondeu que não encontrara nada que lhe agradasse.

Naquela noite, Pinóquio adormeceu e sonhou ter se tornado um menino. Quando acordou, seu sonho realmente tinha se concretizado. Ele não era mais um boneco de madeira, era um menino como os outros.

Gepeto nem acreditou no que estava vendo.

Pinóquio disse ao pai:  “Como era ridículo quando eu era boneco! E como agora estou contente de ter me tornado um menino do bem!”.

E eles foram extremamente felizes!

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