29out
2018
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O Rato do Campo e o Rato da Cidade

Em uma fazenda muito produtiva vivia um ratinho extremamente feliz. Era conhecido pela família como o rato do campo. Plantava e colhia seu próprio alimento: milho, trigo, batata…

Numa tarde maravilhosa, quando finalizava a colheita de espigas com seu velho trator, viu se aproximar um carro conversível, dirigido por um rato com gravata borboleta de seda… Pensou: “que luxo!” Quando chegou mais perto, verificou que o rato era um primo que morava na cidade, em um palacete. O rato do campo ficou muito alegre em receber o primo, já que não se viam há muito tempo.

Entraram no celeiro, lugar onde o rato do campo morava. Ele ofereceu ao primo o que havia de melhor: espigas de milho fresquinhas, recém colhidas, simplesmente deliciosas.

O rato da cidade estava acostumado com outro tipo de alimentação e comentou:

– Nossa! A sua vidinha aqui no campo é muito sem graça! A sua comida é só isso: trigo, milho, arroz… Você precisa ir à cidade e saborear um verdadeiro banquete, conhecer novidades!

O rato do campo sentiu-se humilhado, pois servira ao primo o que tinha de melhor e ele não gostara do que o primo servira. O ratinho ficou curioso em conhecer tudo que o primo descrevera. Resolveu aceitar o convite, já que havia terminado a colheita.

Arrumaram tudo. Partiram os dois para a cidade.

No caminho, o rato do campo se encantava com tudo que via: alamedas enormes, arranha-céus monumentais, pontes estaiadas imensas, tudo majestoso…

Chegaram ao lugar onde o primo morava. A suntuosidade do palacete era algo que realmente impressionava. Ao entrar na casa, ele ficou maravilhado com tudo que viu: salas amplas, muito bem decoradas, com tapetes, obras de arte, quadros famosos nas paredes dos ambientes, tudo muito requintado.

O melhor de tudo estava por vir… eram as salas de refeição: sala de jantar, sala de almoço, cozinha…

Na mesa de uma das salas, havia presunto, queijos de todos os tipos, salames… só gostosuras! O ratinho do campo não sabia onde olhar e o que comer, mas o primo o alertou:

– Tome muito cuidado com as ratoeiras, com os alimentos envenenados pelos cantos das salas!

Mesmo desconfiado, o ratinho começou a saborear os quitutes, pareciam manjares dos deuses.

Não teve muito tempo, pois apareceu uma vassoura que quase o acertou. Correu muito e estava difícil, pois precisava desviar de imensas ratoeiras. Depois de um corre-corre, conseguiram se livrar da vassoura assassina.

Já tranquilos, foram para outra sala apreciar mais presunto fresquinho, queijos… , mas antes de sentir o sabor da primeira mordida, ouviram um miado estridente de um gatão que vivia no palacete.

– Fuja, fuja, gato à vista! Esbravejou o rato.

Correram desesperadamente. Nesse momento, o primo ainda teve a capacidade de esnobar o rato do campo dizendo:

– Viu o que é comer bem?! Em sua casa, não havia esses pratos deliciosos.

Foi o que bastou para o rato do campo… que falou rispidamente:

– Realmente, primo, em minha casa, eu me alimento de raízes, sementes, milho…, mas não troco a tranquilidade e a paz da vida do campo pelas maravilhas da cidade! Esse lugar não é para mim! Por favor, ajude-me a sair daqui o mais rápido possível.

Demoraram bastante para sair do palacete, pois, ora era o gato que corria atrás deles, ora era a vassoura que passava tirando fina dos ratinhos, ora era o desviar das imensas ratoeiras, sem contar as pessoas que tentavam aniquilá-los.

Depois de tanto susto, de tantas fugas, de tantos pulos para se livrarem dos perigos, o ratinho saiu e se despediu do primo dizendo que tinha pena da vida de desconforto que ele levava e se quisesse tranquilidade seria bem-vindo ao campo.

O rato do campo caminhou satisfeitíssimo rumo ao melhor e mais aconchegante lugar que existia: a sua casa, o seu lar, onde podia comer tranquilamente suas espigas sem ser perturbado. Pensou feliz da vida: “Eu posso não ter muito, mas o que tenho, vale mais do que qualquer riqueza”.

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