29jan
2021
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Férias de Pedrinho

Férias…

Pedrinho não pensava em outro lugar que não fosse o sítio da vovó Benta, para se divertir em companhia de sua doce vovó, de sua criativa prima Narizinho, da tia Nastácia com seus deliciosos quitutes, do comilão Marquês de Rabicó, do erudito Visconde de Sabugosa e da irreverente Emília.

O sítio era enorme e bem arrumado. A casa tinha cômodos bem confortáveis. Os quartos eram bem parecidos, apenas o da vovó era o maior de todos. Só Emília e Visconde não tinham quartos: eles ficavam próximos aos livros, mas às vezes, Emília ficava no quarto com Narizinho.

Havia salas bem amplas. A de jantar acomodava várias pessoas e suas janelas davam para um jardim.

Bem próxima à sala de jantar ficava a cozinha, onde tia Nastácia preparava as gostosuras diariamente.

Outra sala muito utilizada era a de visitas, pois recebiam muitos convidados e era onde ficavam para conversar e para Dona Benta ler as histórias diárias. Havia um sofá de madeira, cabiúna, com palhinha tão esticada que parecia cantar quando tocada. Também duas poltronas da mesma palhinha cantante, que Pedrinho adorava tocar. Havia uma mesa de centro de cabiúna com tampo de mármore. Na parede, duas meias mesas do mesmo estilo da do centro, com vários enfeites em cima de toalhinhas de crochê e miçangas, feitas por Narizinho. Ah! Um piano que Dona Benta adorava. Também estantes recheadas de livros…

Depois de uma saleta de entrada, ficava a varanda com muitas plantas ao redor, onde todos tomavam lanches e rolava muita conversa.

Muitas flores no jardim da casa de Dona Benta que Pedrinho fazia questão de plantar para alegrar a vovó.

Próximo à casa ficava o pomar, que era tão antigo quanto ela, por isso as árvores eram enormes e quase caducas. Algumas dessas árvores tinham donos: as jabuticabeiras eram de Pedrinho; as mangueiras, da Narizinho; as pitangueiras, da Emília e as demais eram de todos, mas todos poderiam comer frutas uns dos outros.

Bem atrás da casa principal, ficava a casinha de pau a pique do tio Barnabé, próxima ao ribeirão que contornava o sítio, onde Pedrinho adorava pescar. Já a tia Nastácia apenas pescava aos domingos.

No primeiro domingo da chegada de Pedrinho, tia Nastácia só conseguiu pescar um peixe. Todos queriam comê-lo. Houve uma disputa entre Narizinho e Emília.

– Esse peixe é meu! – gritou Emília.

– Não, é meu! – replicou Narizinho.

Nesse momento da briga, enquanto caminhavam para a casa, a vovó disse:

– Para não ter confusão, é meu!

Esse era o belo sítio onde Pedrinho passava as férias. Mas, dessa vez, ele queria fazer algo diferente. Pediu à avó permissão para caçar na mata fechada que ficava atrás do sítio. A avó disse que era muito perigoso, pois havia onça, sucuri, outros bichos, saci…

– Vovó, não tenho medo de onça, cobra…, disse Pedrinho.

E a avó retrucou: E de saci?!

– De saci, tenho medo.

– Você, todo valente, tem medo de saci?! – disse Dona Benta.

Pedrinho ficou pensando muito: uns dizem que não existe, outros, que sim… não sabemos ao certo. Preciso descobrir tudo. Vovó mencionou que tio Barnabé sabia tudo de saci e tinha visto um…

No dia seguinte, o menino foi falar com o sábio de oitenta anos, o tio Barnabé, conhecedor de muitas histórias.

Tio Barnabé descreveu o saci: um diabinho com uma única perna, que corre muito, com um pitinho na boca e que arma muitas travessuras, maldades pequeninas. O seu encantamento está na carapuça vermelha e quem pegá-la terá o saci como escravo.

Tio Barnabé contou que pegou um saci com uma peneira de cruzeta. Ficou esperando um rodamoinho. Assim que o vento forte passou, jogou a peneira em cima e dessa forma o saci ficou preso. Colocou uma garrafa embaixo da peneira e o saci entrou nela. Pedrinho prestou muita atenção e pediu para ver o saci na garrafa, mas tio Barnabé disse que uma menina acidentalmente o havia soltado.

Pedrinho ficou dias à espera de um vento forte, com um rodamoinho, em busca de um saci. Até que ventos fortes começaram e de repente apareceu um rodamoinho com um saci no topo. Era o momento! Imediatamente jogou a peneira com cruzeta e, em seguida, colocou a garrafa, mas não viu nada. Achou muito estranho. Será verdade?! Tio Barnabé disse que ele fica invisível. Não sei, não!

Agora Pedrinho só fica com a imagem do saci no rodamoinho na cabeça… e pensando nas próximas caçadas.

Pesquise a biografia de Monteiro Lobato.

Conheça as releituras desse livro:

Caipira picando fumo de Almeida Júnior

Três Bandeiras de Jasper Johns

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